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Entrevistamos: Adriano Silva

Conversamos com o empreendedor que trouxe portais como Gizmodo ao Brasil sobre os rumos do mercado de conteúdo

De origem gaúcha, Adriano vive em São Paulo há 17 anos, e é um típico brasileiro que empreende com conteúdo digital; vindo do mercado editorial, ele está sempre em busca do equilíbrio perfeito entre qualidade de conteúdo e público certo. Adriano é Sócio fundador e CEO da The Factory e da Damnworks, além de ser Fundador da Spicy Media – responsável por trazer os sites Gizmodo (sobre ciência e tecnologia) e Kotaku (sobre Games) ao Brasil. 

Responsável pelo conteúdo e pelo relacionamento na plataforma Fiat Mio de Open Innovation, Adriano coleciona passagens pelas grandes TV Globo e Editora Abril, onde participou e colaborou em diversas funções (como Diretor de Núcleo e Chefe de Redação) em suas diversas publicações (como Programa Fantástico e revistas como EXAME, Superinteressante e Mundo Estranho). Atualmente o empresário, com MBA pela Universidade de Kyoto, no Japão e graduado em Comunicação Social pela UFRGS, é um dos principais nomes por trás do Projeto Draft, que tem a intenção de cobrir o ecossistema de inovação no Brasil. Adriano Silva conversou com a Redação do Conteudistas e compartilhou suas ideias sobre o futuro do conteúdo e também a respeito de quem o produz no Brasil e no mundo. Confira!

1. O que você aprendeu trazendo marcas de conteúdo conceituadas internacionalmente ao Brasil?

Aprendi pouco em termos de importação de conhecimento ou de modos de fazer ou de modelos de negócio. Vou explicar: tanto na Super quanto no Gizmodo, as duas franquias internacionais que dirigi no Brasil, uma pela Abril, a outra pela minha própria empresa (a Spicy Media), sempre ofereceram uma liberdade total para serem gerenciadas do meu jeito. Os donos de marcas internacionais queriam seus royalties pagos em dia e que eu não lhes criasse problemas. O resto era comigo.

2. Em vista das últimas tendências, qual o destino você daria às publicações impressas nos próximos 5 anos?

Acho que haverá um enxugamento brutal, em revistas e em jornais. Trata-se de um formato que caducou, não faz mais sentido do ponto de vista dos custos, da logística, do hábito dos consumidores de informação. O jornal impresso já está morto. Ele não faz mais sentido, o que ele entrega não tem mais valor – notícia de ontem, velhíssima nesse mundo veloz que vivemos. E boa parte das revistas fenecerá também. São objetos que não fazem mais parte da nossa vida. Periodicidade semanal? Mensal? O mundo gira muito mais rápido do que isso. Banca de revistas? Não me lembro mais o que é isso.

3. Qual o papel dos conteudistas em um ambiente que cada vez exige menos certificações como jornalismo, marketing e etc.?

Nosso papel como produtores, editores e curadores de conteúdo nunca foi tão demandado. O jornalismo está em alta. Os jornalistas, como os conhecíamos, talvez não. E sou contra a exigência de diplomas e certificações para a nossa profissão. Isso é cartorialismo, protecionismo de mercado. Se o diploma for bom e fizer diferença, não será preciso exigi-lo por força de lei.

4. É natural exigir que alguém que produza conteúdo tenha algumas habilidades além do bom texto e noção básica de publicação on-line. Quais outras dicas você daria para quem produz conteúdo para a internet?

As regras são as mesmas de sempre. Nesse quesito, nada mudou. Temos que ser relevantes, úteis, práticos, claros, diretos, sucintos e envolventes.  Temos que oferecer informação, conhecimento, diversão, tornando atraente aquilo que é importante. Somos consultores de assuntos para quem nos segue. Essa consultoria tem que ser a melhor possível. Ou perderemos o cliente.

5. Projetos para ambiente mobile aparecem no topo do ranking das inovações. Qual você prevê ser o próximo conceito, dentro do mundo dos smartphones, a engajar através do conteúdo?

Não sei. A gente usa cada vez mais o smartphone para tudo, menos para falar ao telefone… Ele é um computador pessoal. Virou uma plataforma importantíssima para a distribuição de conteúdo. A tela pequena, que já não é tão pequena assim, é um limitador.

6. Você trouxe ao Brasil projetos, como o Kotaku, pensado para um público jovem. O que você acha deste público e o que aprendeu sobre engajamento deles?

Acho que tem gente curiosa em qualquer idade. E tem gente preguiçosa em qualquer idade. Tem leitor para listinhas de itens sem nenhuma consecução. E tem leitor para análise mais aprofundada, com mais resíduo. E não sei se a questão etária é um bom critério para dividir essas tribos.

7. Cite uma referência internacional para os produtores de conteúdo ficarem ligados.

Gosto das inovações do The Guardian e do The New York Times, para citar dois veículos da chamada old media. Tem o Business Insider e o QZ.com, que são bem lidos e compartilhados também.

8. Dentro de um contexto de empreendedorismo criativo, qual iniciativa empresarial ou produto editorial acha mais relevante atualmente?

A gente tem contado histórias incríveis de negócios criativos no Draft. Nem tanto do mercado editorial. Todo mundo está fugindo de negócios em mídia. E, no entanto, é um dos mercados com maior número de demandas desatendidas hoje.

9. Quais experiências e inovações que o Draft traz para o mercado?

Estamos tentando inovar ao cobrir o ecossistema de inovação. Um outro jeito de produzir, de curar, de fazer negócios. Tomara que dê certo!

Conteudista: Adriano Silva

Adriano e seu mais recente lançamento em livro: "ANSIEDADE CORPORATIVA"
Adriano e seu mais recente lançamento em livro: “ANSIEDADE CORPORATIVA”

Autor dos livros: O Executivo Sincero – Revelações subversivas, surpreendentes e inspiradoras sobre a vida nas grandes empresas, além de Tudo O Que Eu Aprendi Sobre o Mundo dos Negócios, E Agora, O Que É Que Eu Faço? e Homem sem Nome

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