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O celeiro criativo das publicações independentes

Feiras de publicações independentes são uma importante vitrine para o que há de novo no cenário editorial do país

Há alguns anos, as feiras voltadas para publicações independentes têm ganhado público e mercado. Esses encontros abrem espaço para os mais variados temas, gêneros, escritores, jornalistas, designers, artistas e editoras. O crescimento destas feiras, promovido pela parceria entre editoras pequenas, é um sintoma claro que quanto mais burocratizado e fechado um mercado fica, mais é vital criar vias alternativas que liguem quem cria conteúdo com quem consome ele. As “feiras indie”, como também são chamadas, são o principal estímulo para criação, produção e veiculação de produtos que fogem à cartilha convencional.

Assim, estar fora do eixo do mercado editorial é viver num desequilíbrio saudável, o que faz com que editoras e profissionais independentes ganhem força e se tornem deste modo, resistentes, mostrando que não há conservadorismo nem superproteção dos sistemas de produção antigos nem produtos que levam mais uma bandeira panfletária além do seu conteúdo novo e realmente interessante. Esta resistência tem a ver com a necessidade de criar caminhos distintos e autônomos daqueles oferecidos pelas grandiosas e esmagadoras organizações que, por muitas vezes não abrem espaço em suas estantes para conteúdo novo e, se abrem, desejam que a obra esteja adequada com seu repertório de venda.

Entretanto, indo na contramão deste processo e concebendo seu próprio espaço de encontro com o público, as editoras e os profissionais independentes criaram diversas feiras de publicação para seus próprios nichos em diversas partes do país, ganhando destaque no circuito cultural de suas cidades e regiões. Entre elas, estão a Feira Plana de São Paulo que vai para a sua 4ª edição a qual é uma das referências dessa iniciativa no país com uma média de público de 10 mil pessoas. A Feira Plana foi criada por Bia Bittencourt, que buscou esta inspiração em uma viagem aos Estados Unidos e conheceu a New York Art Book Fair. Lá, ela se surpreendeu com a quantidade de boas produções feitas fora da lógica do mercado e, ao retornar ao Brasil, decidiu idealizar e organizar a Feira que, hoje,  é uma das maiores do país e que já chegou a ter 150 expositores em uma de suas edições.

Além da Feira Plana há diversas outras que colaboram para o fortalecimento de publicações independentes, como a tradicional Tijuana que acontece desde 2009, a carioca Pão de Forma, o Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), em Belo Horizonte, a paulistana Ugra Zine Fest e também a GibiCon, de Curitiba. Com tantos exemplos bem-sucedidos de incentivo à publicação independente, estar fora do eixo talvez seja agora o novo eixo.

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