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Ícaro, a primeira revista branded content do Brasil

A edição pioneira era feita sob medida aos passageiros da então companhia aérea Varig

Há 32 anos nascia a Revista Ícaro da Viação Aérea Rio-Grandense, mais conhecida como Varig. Para quem não voou na saudosa companhia aérea e não teve a experiência de ler o distinto exemplar enquanto viajava, trazemos aqui a rara edição número 1, que pode ser garimpada e comprada no Mercado Livre (o valor gira em torno de R$45 para os mais entusiastas). Uma viagem às origens do marketing de conteúdo feito no Brasil.

Na capa, a primeira edição da Ícaro trazia uma estonteante pepita de ouro dos Carajás. Em seu recheio, outras preciosidades editorais como uma crônica do autor e jornalista renomado Fernando Sabino, uma pensata do icônico Mino Carta e, ainda, uma charge do cartunista Henfil. A alta qualidade do conteúdo em uma época que nem se cogitava falar em branded content era, de forma direta: inovação. Varig, uma senhora de, então 56 anos, o fez.

Consequentemente, a empresa entendeu que uma fusão de jornalismo, fotografia e design organizados em uma narrativa de páginas subsequentes poderia ser uma ferramenta para falar da sua marca sem ser chato. Cases na história do conteúdo de marca mostram a importância de ser inteligente e sutil ao falar com um consumidor que não era e nunca foi bobo.

As entrelinhas da Ícaro tinham a alma da Varig Cruzeiro, assim como os colaboradores e convidados que dividiam um pouco da credibilidade de seus nomes com a marca. Ali, entre uma matéria falando da novidade da abertura do aeroporto de Guarulhos, estavam os valores e as informações importantes que a Varig, como marca e empresa, gostaria de compartilhar com seus clientes, ou melhor, leitores.

Na edição de lançamento, a revista ainda traz uma reportagem sobre a cidade de “Olinda” e um artigo apontando o álcool brasileiro como a salvação para um mundo sedento por combustível alternativo frente à crise do Petróleo, nos anos 80.

O mundo e o Brasil estavam mergulhados em momento de economia instável. Entretanto,  a Revista continuou sendo publicada, mesmo com a crise da própria companhia, devido à importância e à força institucional da publicação, que ganhava ainda mais espaço, chegando a ser vendida em bancas de jornal em 1985.

Em 1996, A Ícaro passou a ser pela RMC, editora que observou uma tendência que a publicação representava. Anos mais tarde, as ‘revistas de bordo’ se popularizariam com revistas customizadas para marcas como TAM (projeto da editora New Content), a Gol Linhas Aéreas (projeto da Trip editora); e as empresas Avianca e Azul seguiram, também, o mesmo caminho.

Com uma tiragem de 130 mil exemplares, a revista foi aos poucos perdendo força de veiculação junto a marca que lhe deu origem. A última edição que se tem notícia foi a de número 260 editada em abril de 2006. Foi uma bela viagem, Ícaro!

Obs.:: Agradecimento especial a Paul Willian Gregson que guardou da coleção de seu pai a primeira edição da Ícaro. Thanks, Paul.

  • Crédito: redação Conteudistas.
    Alcool
    Crédito: redação Conteudistas.
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    capa
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    Fernando Sabino
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    Henfil
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    icarobrasil_260
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    Mino Cata
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    Olinda
    Crédito: redação Conteudistas.
  • Pedras
    Pedras

Não acredito se, nesta época, já se falava em branded content ou conteúdo de marca, mas a Ícaro já fazia isto há muito tempo. Naturalmente, a estratégia de marketing não salvou a companhia, mas ajudou a construir sua marca durante e depois do período que operou de uma maneira ou de outra.  Então, foi de modo sutil e inteligente que a Revista Ícaro fez conteúdo e falou e, ainda, fala com seus leitores de ontem, mesmo 32 anos depois de sua primeira edição. Simples assim. E, em época de conteúdo como tendência, tenho saudades, não de Revistas velhas, mas de quando o branded content era capa de revista e valia ouro.

Publisher - Mymag

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Ivan Zumalde

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