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Jornalistas Livres: uma experiência em rede

Reunindo comunicadores, a proposta é oferecer uma contranarrativa à hegemônica dos grandes veículos midiáticos

Éramos pouco mais de trinta pessoas no primeiro encontro. Todos com o mesmo objetivo, o de construir um jornalismo plural e democrático”

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Larissa Gould
“#JornalistasLivres em defesa da democracia: Cobertura colaborativa contra a manipulação política da mídia tradicional; pelas narrativas independentes”, essa é a breve descrição encontrada na Fan Page da rede.

Não é um coletivo, mas são muitos. Jornalistas Livres surgiu, em março de 2015, com a proposta de fazer uma contranarrativa à hegemônica dos grandes veículos de comunicação. “Éramos pouco mais de trinta pessoas no primeiro encontro. Todos com o mesmo objetivo, o de construir um jornalismo plural e democrático”, explica Larissa Gould, integrante do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, uma das entidades que compõe a rede.

De lá para cá, o grupo cresceu e se multiplicou. A rede reúne jornalistas, artistas, ativistas digitais, comunicadores populares; de coletivos de comunicação, fotografia, cultura, movimentos sociais, sindicatos, ou jornalistas independentes cansados da velha mídia.

“Já somos centenas, é difícil contabilizar. Chegam contribuições de todo o país. A proposta de sermos uma rede é o que nos permite chegar em muitos lugares e cobrir diversas pautas”, conta Larissa. A estratégia tem funcionado. A rede teve papel fundamental em importantes coberturas como a dos estudantes secundaristas contra a reorganização escolar de Alckmin, as ocupações de prédios ociosos na capital paulista e as manifestações pró e contra o impeachment de Dilma.

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Ela relata que a rede é uma forma de fortalecer os veículos de mídia independentes e alternativos. “Não temos a infraestrutura que os grandes veículos possuem, temos uns aos outros e a vontade de realizar essa narrativa mais próxima dos movimentos sociais, da juventude, das periferias, das mulheres, negras e negros, LGBTTs, enfim, de todos aqueles que não são representados pela mídia convencional.”.

Os JL parece ter chegado na hora certa. Em menos de um ano existência, a Fan Page já possui mais de 160 mil likes, alcançando 2 milhões de pessoas. A rede começa a implementar uma WEB TV e uma Universidade Livre, esta última com oficinas de formação para grupos diversos. “A ideia é darmos autonomia para que os coletivos e movimentos possam falar por si, contar sua própria história.”. E essas oficinas já aconteceram com jovens transexuais, secundaristas das escolas ocupadas de São Paulo, sem-teto e estudantes de comunicação.

Para dar seguimento ao projeto, contam com a disposição pessoal de cada membro, todos são voluntários. Em julho do ano passado, a rede realizou uma campanha de financiamento coletivo, que arrecadou mais de 130 mil reais, foi a maior arrecadação para projeto jornalístico da história do país. O dinheiro custeia a sede, equipamentos e cobertura de pautas específicas, como no desastre causado pela mineradora Samarco, em Mariana/MG.
O projeto ainda é recente e experimental, entretanto é visto com entusiasmo por muitos e para Larissa é só começo: “Não somos a única iniciativa com a proposta de ampliar e democratizar a comunicação, muitas outras mais virão. No que depender de nós, a paz do monopólio da mídia brasileira está com os dias contatos.”.

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