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Por que eu optei pela autopublicação?

O jornalista e autor Dagomir Marquezi explica porque para ele, o papel complica tudo

A qualidade do livro só interessa a duas pessoas: seu autor e seu leitor. Se o autor achar que o livro está pronto, coloca à venda. Se o leitor achar que o livro vale a pena, compra. É simples assim. Mas o livro de papel complica tudo.

Como leitor, eu desisti do papel. Só leio revistas, jornais e revistas em papel se não houver outra opção. Não fazia sentido eu, como autor, continuar insistindo no papel. Não tem cabimento entregar um original para uma editora e esperar oito, nove, dez meses, um ano por uma resposta que, geralmente, se limita a duas linhas num email: “Prezado autor: seu livro não nos interessou. Agradecemos pelo seu interesse em nossa editora. Atenciosamente…”. Ou então: “Gostamos do seu livro e estamos interessados na sua publicação. Devido ao acúmulo de obras em nossa linha de produção, seu livro foi agendado para lançamento em agosto de 2023”.

Desisti desse ritual. Só publico em formato digital agora – e se alguma editora se interessar em uma edição de papel, é só me avisar. Aprendi o processo básico da autopublicação e já lancei 4 livros pela Amazon em formato Kindle. Eu escrevo, edito, faço os ajustes técnicos e mando.

O que falta para ficar perfeito? Combinar com os leitores brasileiros. A resistência ao livro digital no Brasil é incompreensível. Nós já temos um enorme déficit de leitura na população, e a digitalização poderia multiplicar imediatamente o número de leitores, mas permanece forte a ideia preconceituosa de que um eBook não é um livro de verdade. A imprensa não aceita sua existência em suas páginas de resenha e os professores não recomendam livros digitais em seus cursos, não importando que o livro digital seja muito mais barato, acessível e ambientalmente sustentável que o de papel. Ele ainda não “pegou”.

Aprendi o processo básico da auto-publicação e já lancei 4 livros pela Amazon em formato Kindle. Eu escrevo, edito, faço os ajustes técnicos e mando.

Dagomir Marquezi

Livros digitais ocupam apenas 4 por cento do mercado editorial brasileiro. EBooks autopublicados representam apenas uma fração ainda não calculada desses 4 por cento. Esses números ainda microscópicos só me animam. Um dia, essas barreiras irracionais cairão e o livro digital vai revolucionar o hábito da leitura no Brasil. Estou plantando já para essa época.

Desde 2013 lancei 3 livros pela Amazon/Kindle: Eu Sou Animal -sobre direitos animais, Intervalo – texto de uma peça teatral e Alma Digital – coletânea de textos contando 17 anos de evolução tecnológica. Em 2015, decidi dar um segundo passo e lancei meu primeiro livro em inglês: Open Channel D: The Man From UNCLE Affair. É um romance sobre a influente série de espionagem dos anos 1960, que ganhou uma nova versão, este ano, com o filme de Guy Ritchie.

O Open Channel D foi planejado e construído durante anos. Para escrever o livro, assisti cada um dos 134 episódios ligados à série e suas 10 versões para longa metragem. Escrevi a versão final já em inglês e convidei um amigo diplomata, Claudio Poles, fluente na língua para uma detalhada revisão do texto. E convidei outro amigo designer, Saulo Ribas, para elaborar sua capa.

No dia 14 de agosto, mandei o conteúdo do livro e sua capa para a Amazon. Eu estabeleci um preço de 5 US$, a partir dos limites apresentados por eles. Se fosse um livro de papel, eu, provavelmente, estaria ganhando 10% do preço de capa. Como é um eBook da Kindle, eu tenho direito a 70%. E assim que o publiquei, já estava à disposição em um site global Amazon.com e em mais 12 mercados regionais como: Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Itália, Holanda, Japão, Canadá, México, Austrália e Índia – além do Brasil e dos EUA.

Quem publica em papel costuma receber relatórios semestrais ou anuais da editora, aferindo quantos livros foram vendidos – e por falta de um método confiável, esses números estão sempre sobre suspeita. Na Amazon Kindle, eu sou informado a cada livro que vendo, no momento em que ele foi vendido. O botão “atualizar relatório de vendas” se torna um vício. A cada mês, a Amazon deposita minha renda no meu banco. Simples assim.

O mercado de livros de papel já tem 600 anos. O de livros digitais ainda está na primeira infância. Mas tem tudo para crescer muito rapidamente e as condições para isso são as melhores. A autopublicação abre uma via expressa de possibilidades. Já tenho mais dois livros prontos em português e estou preparando meu próximo livro em inglês. Minha confiança nesse mercado é absoluta. As névoas do nosso atraso serão dissipadas mais cedo ou mais tarde. Acredito que bem mais cedo.

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Dagomir Marquezi

Dagomir Marquezi é escritor, roteirista e jornalista. Seus livros digitais podem ser encontramos na Amazon. www.amazon.com/-/e/B00FPH7X6M

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